quarta-feira, 2 de junho de 2010

O Brasil e o controverso acordo com o Irã

No mês de maio os principais jornais e revistas americanos destacaram o acordo assinado pelo Irã, mediado por Brasil e Turquia. O acordo estabelece o envio pelo Irã de 1.200 quilos do seu urânio enriquecido a 3,5%, para ser trocado por urânio enriquecido a 20%. A troca seria feita na Turquia sob a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Segundo os Governos do Brasil e da Turquia, o acordo atende às exigências feitas pelos países membros do Conselho de Segurança da ONU. Os Estados Unidos da América argumentam que o Irã tenta ganhar tempo para conseguir a tecnologia necessária para a produção de armas nucleares.

O The Economist, em artigo publicado no dia 20 de maio, faz a pergunta: "Teriam Brasil e a Turquia ajudado a resolver a iminente crise nuclear, ou piorado a situação?" O artigo destaca que o estoque de urânio do Irã aumentou consideravelmente desde a proposta do acordo formulada em outubro, e fomenta a ideia que o acordo assinado é inócuo no sentido de impedir que o Irã continue a enriquecer o urânio. Explica que os termos acordados são vagos e não explicam como o enriquecimento se dará tendo a Turquia como guardiã do estoque. Aduz que as tentativas de conversa com o Irã parecem não chegar a nenhum lugar, mas que o acordo pode dividir o Conselho de Segurança da ONU e impedir que novas sanções sejam aplicadas, ou seja, Mr. Ahmadinejad would be the winner.

Fica a pergunta: Será?

A notícia original pode ser lida no The Economist.

terça-feira, 1 de julho de 2008

EUA retiram benefícios tarifários de Índia, Brasil e outros países


Alguns produtos, tais como colares de ouro da Índia e ligas metálicas do Brasil, além de outras 23 mercadorias de países em desenvolvimento, deixarão de entrar nos EUA livres de direitos aduaneiros.

A decisão é resultado da revisão anual do Sistema Geral de Preferências (SGP), programa criado em 1974 que permite a 132 países em desenvolvimento exportar aproximadamente 5.000 produtos para os norte-americanos sem pagar tarifas. Em 2007, os EUA importaram U$ 30,8 bilhões em mercadorias pelo SGP.

Na última revisão do SGP, 25 produtos, que correspondiam a aproximadamente U$ 1,4 bilhões das importações de 2007, foram retirados da lista de preferências tarifárias.

Em parte por causa da frustração americana com Índia e Brasil na Rodada de Doha da OMC, o Congresso americano definiu critérios mais rígidos para o SGP em dezembro de 2006. Legisladores norte-americanos se disseram aborrecidos com o fato de países como Índia e Brasil receberem tratamento especial nos EUA, mas se recusarem a abrir seus mercados para produtos manufaturados.

A representante de Comércio dos EUA afirmou que " o Congresso criou o programa SGP para servir como uma ponte para que os países em desenvolvimento aumentem sua participação no sistema global de comércio".

Como resultado da nova decisão, U$ 266 milhões deixarão de ser importados em colares de ouro e outros produtos da Índia, U$ 233 milhões em jóias da Turquia, U$ 151 milhões em ligas de ferronióbio do Brasil e U$ 6,6 milhões em amendoim da Argentina.

A notícia original pode ser lida no The Washington Post e na Agência Reuters, do Reino Unido.

Na foto, Susan Schwab em reunião no escritório da Representação de Comércio dos EUA.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Brasil e Argentina pretendem desdolarizar o comércio bilateral


Guido Mantega, Ministro da Fazenda, declarou em Brasília a desdolarização do comércio bilateral entre Brasil e Argentina. Após anos de negociações, foi resolvido que a partir de setembro deste ano o comércio entre os dois países terá como moedas o Real e o Peso, substituindo o dólar.

Para que o novo sistema seja implantado, é necessário apenas o sancionamento de medidas técnicas por parte dos bancos centrais dos dois países. Outros aspectos técnicos e normas de comércio exterior já foram compatibilizadas para que a substituição fosse possível. Quando em vigor, o sistema se baseará em um coeficiente fixado todos os dias pelos bancos centrais com referência no dólar.

A medida promete baixar custos de transações no comércio bilateral, eliminando serviços. Devem se beneficiar do novo sistema principalmente as pequenas e médias empresas brasileiras e argentinas.

A notícia foi dada pelo jornal argentino La Nación e pela BBC Brasil.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Movimentações no Mercosul


Há novas movimentações no Mercosul. Convite a novos membros, tentativa de estabilização e assinatura de acordos. Apesar das fraquezas, claras nas reuniões da Rodada Doha, há novidades no Mercosul e o bloco, lentamente, avança.

Lula busca resolver os problemas do Brasil nas relações com os países do Mercosul. Em reunião com o chanceler Celso Amorim, o presidente pediu urgência na aceitação da Venezuela como país sócio do Mercosul. A aceitação depende do Senado Federal, onde há resistências por parte da oposição. Celso Amorim deve voltar a conversar com parlamentares na tentativa de resolver a questão nos próximos meses.

O presidente anunciou ainda que busca inaugurar projetos de infra-estrutura na América Latina, o que deve fortalecer o bloco. Duas pontes são as iniciativas principais. Uma liga o Brasil ao Paraguai e outra, a binacional Guayaramerín, é um projeto com a Bolívia.

Celso Amorim também vem trabalhando na África em favor do bloco. Em visita à Argélia, o ministro reforçou as relações bilaterais e propôs um acordo marco entre o Mercosul e o país africano. A idéia é iniciar negociações para um futuro tratado de livre comércio com os argelinos. A aliança entre Brasil e Argélia é interessante aos dois países politicamente. Brasília busca um apoio à candidatura ao Conselho de Segurança da ONU, enquanto Argel quer o suporte brasileiro para que seja aceita na OMC.

Tabaré Vázquez também anda movimentando a agenda regional. O presidente uruguaio quer outro "peso pesado" no Mercosul como forma de equilibrar as assimetrias da região. Vázquez convidou formalmente o Presidente Felipe Calderón para que o México ingresse no bloco como Estado parte. A intenção do uruguaio é neutralizar os poderes de decisão de Brasil e Argentina.

Leia mais sobre Mercosul e Argélia; acordos entre Brasil e Argélia; Mercosul e México; Mercosul e Venezuela.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

EUA podem abrir seu mercado para etanol brasileiro

As enchentes no meio-oeste dos EUA causaram um grande aumento no preço do etanol americano, feito de milho, o que cria uma oportunidade para o etanol brasileiro, à base de cana-de-açúcar, entrar mais livremente naquele enorme mercado. Se a tarifa de 54 por cento sobre o barril do etanol brasileiro for removida, uma onda de investimentos pode chegar ao Brasil e a outros países sulamericanos.

Dois senadores americanos, Dianne Feinstein, democrata da Califórnia, e Judd Gregg, republicano de New Hampshire, apresentaram projeto de lei para reduzir a tarifa sobre o etanol de cana-de-açúcar com o intuito de baixar os preços do etanol nos EUA.

Segundo Antônio Pádua Rodrigues, diretor técnico da União Nacional das Indústrias de Cana-de-Açúcar (UNICA), o Brasil poderia exportar aproximadamente 2 bilhões a mais de etanol se as tarifas forem eliminadas, e 1 bilhão a mais se as tarifas forem reduzidas.

O país espera exportar aproximadamente 4,8 bilhões de litros de etanol esse ano. A maioria do combustível exportado pelo Brasil tem por destino os EUA, seja por exportação direta, seja indiretamente, por meio de países caribenhos, que gozam de isenção tarifária em relação aos americanos.

O etanol de milho é vendido nos EUA a U$ 2,80 o galão, enquanto que o etanol de cana-de-açúcar brasileiro poderia ser vendido, sem tarifas, a U$ 1,87. Enquanto o preço do etanol de milho tem aumentad, o etanol brasileiro tem se tornado cada vez mais competitivo.

Resta saber se o lobby a favor do etanol de milho vai permitir que a proposta dos dois senadores americanos se concretize.

A matéria original pode ser lida em The Wall Street Journal.

sábado, 21 de junho de 2008

Argentina endurece negociação da Rodada Doha


A Argentina endureceu as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). No mês passado, foram apresentadas duas propostas, de abertura agrícola e de liberalização industrial, mas ainda não há acordo, sequer do lado dos países periféricos. O Brasil aceita discutir a proposta, mas a Argentina decidiu endurecer as negociações.

"O Mercosul não tem uma posição comum na Rodada Doha", afirmou o chefe de gabinete da direção geral da OMC, o brasileiro Victor do Prado. "Brasil, Paraguai e Uruguai dizem que a proposta agrícola é uma boa base para negociar. Para a Argentina não serve porque considera que há mais ambição na agricultura que na indústria", explicou Prado.

Assim, a Argentina distancia-se do Brasil e une-se à outro país estratégico nas negociações: a Índia. Até o ano passado, os três países tinham posição comum na OMC no que tange à abertura industrial, mas nas últimas semanas Argentina e Índia se diferenciaram e conjuntamente se manifestaram contra a nova proposta da Organização.

O novo impasse deve levar a Rodada mais uma vez ao estado de hibernação, alertam especialistas. Dados a posição argentina e indiana e a ausência do fast track (processo rápido de aprovação de acordos de comércio) americano , politólogos prevêem que o estado de latência da rodada dure até fins de 2009 ou início de 2010.

Matéria do La Nación argentino.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

OEA e Mercosul criticam Lei de Imigração européia



Recém aprovada, a Lei de Imigração européia ganha opositores em todo o globo e, principalmente, na América Latina. Suas diretrizes rígidas contra a imigração ilegal incluem pena de prisão por seis meses, prorrogáveis por mais 12. Após declarações de rechaço propagadas por diversos governantes, dentre eles o Presidente Lula, a lei é agora alvo de críticas também por parte de organismos e blocos regionais.

O Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Miguel Insulza, é contrário à lei e chamou a Diretriz de Retorno de "medida repressiva" que trata "como delinqüentes os imigrantes ilegais". Ele declarou ainda que "una vez más se aprueba en el mundo desarrollado una medida represiva en contra de los inmigrantes ilegales, que afecta directamente a muchos latinoamericanos" e destacou o paradoxo entre a expansão dos acordos comerciais e a restrição ao trânsito de pessoas.

O Presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul, Carlos Álvarez, demonstrou a mesma indignação. Para ele, a nova lei é repressiva e discriminatória, já que pune com pena mais dura a imigração ilegal do que crimes gravíssimos. Álvarez vai além, afirma que a Diretriz viola os Direitos Humanos.

Insulza crê ser possível travar diálogo com os países que aderiram à Diretriz, enquanto Álvarez propõe que o Mercosul reúna esforços para tentar reverter a lei para que se desenvolva uma política mais harmônica e justa.

Leia mais no El Comercio: OEA e Mercosul. Nas fotos, Miguel Insulza e Carlos Álvarez.