sexta-feira, 27 de junho de 2008

Brasil e Argentina pretendem desdolarizar o comércio bilateral


Guido Mantega, Ministro da Fazenda, declarou em Brasília a desdolarização do comércio bilateral entre Brasil e Argentina. Após anos de negociações, foi resolvido que a partir de setembro deste ano o comércio entre os dois países terá como moedas o Real e o Peso, substituindo o dólar.

Para que o novo sistema seja implantado, é necessário apenas o sancionamento de medidas técnicas por parte dos bancos centrais dos dois países. Outros aspectos técnicos e normas de comércio exterior já foram compatibilizadas para que a substituição fosse possível. Quando em vigor, o sistema se baseará em um coeficiente fixado todos os dias pelos bancos centrais com referência no dólar.

A medida promete baixar custos de transações no comércio bilateral, eliminando serviços. Devem se beneficiar do novo sistema principalmente as pequenas e médias empresas brasileiras e argentinas.

A notícia foi dada pelo jornal argentino La Nación e pela BBC Brasil.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Movimentações no Mercosul


Há novas movimentações no Mercosul. Convite a novos membros, tentativa de estabilização e assinatura de acordos. Apesar das fraquezas, claras nas reuniões da Rodada Doha, há novidades no Mercosul e o bloco, lentamente, avança.

Lula busca resolver os problemas do Brasil nas relações com os países do Mercosul. Em reunião com o chanceler Celso Amorim, o presidente pediu urgência na aceitação da Venezuela como país sócio do Mercosul. A aceitação depende do Senado Federal, onde há resistências por parte da oposição. Celso Amorim deve voltar a conversar com parlamentares na tentativa de resolver a questão nos próximos meses.

O presidente anunciou ainda que busca inaugurar projetos de infra-estrutura na América Latina, o que deve fortalecer o bloco. Duas pontes são as iniciativas principais. Uma liga o Brasil ao Paraguai e outra, a binacional Guayaramerín, é um projeto com a Bolívia.

Celso Amorim também vem trabalhando na África em favor do bloco. Em visita à Argélia, o ministro reforçou as relações bilaterais e propôs um acordo marco entre o Mercosul e o país africano. A idéia é iniciar negociações para um futuro tratado de livre comércio com os argelinos. A aliança entre Brasil e Argélia é interessante aos dois países politicamente. Brasília busca um apoio à candidatura ao Conselho de Segurança da ONU, enquanto Argel quer o suporte brasileiro para que seja aceita na OMC.

Tabaré Vázquez também anda movimentando a agenda regional. O presidente uruguaio quer outro "peso pesado" no Mercosul como forma de equilibrar as assimetrias da região. Vázquez convidou formalmente o Presidente Felipe Calderón para que o México ingresse no bloco como Estado parte. A intenção do uruguaio é neutralizar os poderes de decisão de Brasil e Argentina.

Leia mais sobre Mercosul e Argélia; acordos entre Brasil e Argélia; Mercosul e México; Mercosul e Venezuela.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

EUA podem abrir seu mercado para etanol brasileiro

As enchentes no meio-oeste dos EUA causaram um grande aumento no preço do etanol americano, feito de milho, o que cria uma oportunidade para o etanol brasileiro, à base de cana-de-açúcar, entrar mais livremente naquele enorme mercado. Se a tarifa de 54 por cento sobre o barril do etanol brasileiro for removida, uma onda de investimentos pode chegar ao Brasil e a outros países sulamericanos.

Dois senadores americanos, Dianne Feinstein, democrata da Califórnia, e Judd Gregg, republicano de New Hampshire, apresentaram projeto de lei para reduzir a tarifa sobre o etanol de cana-de-açúcar com o intuito de baixar os preços do etanol nos EUA.

Segundo Antônio Pádua Rodrigues, diretor técnico da União Nacional das Indústrias de Cana-de-Açúcar (UNICA), o Brasil poderia exportar aproximadamente 2 bilhões a mais de etanol se as tarifas forem eliminadas, e 1 bilhão a mais se as tarifas forem reduzidas.

O país espera exportar aproximadamente 4,8 bilhões de litros de etanol esse ano. A maioria do combustível exportado pelo Brasil tem por destino os EUA, seja por exportação direta, seja indiretamente, por meio de países caribenhos, que gozam de isenção tarifária em relação aos americanos.

O etanol de milho é vendido nos EUA a U$ 2,80 o galão, enquanto que o etanol de cana-de-açúcar brasileiro poderia ser vendido, sem tarifas, a U$ 1,87. Enquanto o preço do etanol de milho tem aumentad, o etanol brasileiro tem se tornado cada vez mais competitivo.

Resta saber se o lobby a favor do etanol de milho vai permitir que a proposta dos dois senadores americanos se concretize.

A matéria original pode ser lida em The Wall Street Journal.

sábado, 21 de junho de 2008

Argentina endurece negociação da Rodada Doha


A Argentina endureceu as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). No mês passado, foram apresentadas duas propostas, de abertura agrícola e de liberalização industrial, mas ainda não há acordo, sequer do lado dos países periféricos. O Brasil aceita discutir a proposta, mas a Argentina decidiu endurecer as negociações.

"O Mercosul não tem uma posição comum na Rodada Doha", afirmou o chefe de gabinete da direção geral da OMC, o brasileiro Victor do Prado. "Brasil, Paraguai e Uruguai dizem que a proposta agrícola é uma boa base para negociar. Para a Argentina não serve porque considera que há mais ambição na agricultura que na indústria", explicou Prado.

Assim, a Argentina distancia-se do Brasil e une-se à outro país estratégico nas negociações: a Índia. Até o ano passado, os três países tinham posição comum na OMC no que tange à abertura industrial, mas nas últimas semanas Argentina e Índia se diferenciaram e conjuntamente se manifestaram contra a nova proposta da Organização.

O novo impasse deve levar a Rodada mais uma vez ao estado de hibernação, alertam especialistas. Dados a posição argentina e indiana e a ausência do fast track (processo rápido de aprovação de acordos de comércio) americano , politólogos prevêem que o estado de latência da rodada dure até fins de 2009 ou início de 2010.

Matéria do La Nación argentino.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

OEA e Mercosul criticam Lei de Imigração européia



Recém aprovada, a Lei de Imigração européia ganha opositores em todo o globo e, principalmente, na América Latina. Suas diretrizes rígidas contra a imigração ilegal incluem pena de prisão por seis meses, prorrogáveis por mais 12. Após declarações de rechaço propagadas por diversos governantes, dentre eles o Presidente Lula, a lei é agora alvo de críticas também por parte de organismos e blocos regionais.

O Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Miguel Insulza, é contrário à lei e chamou a Diretriz de Retorno de "medida repressiva" que trata "como delinqüentes os imigrantes ilegais". Ele declarou ainda que "una vez más se aprueba en el mundo desarrollado una medida represiva en contra de los inmigrantes ilegales, que afecta directamente a muchos latinoamericanos" e destacou o paradoxo entre a expansão dos acordos comerciais e a restrição ao trânsito de pessoas.

O Presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul, Carlos Álvarez, demonstrou a mesma indignação. Para ele, a nova lei é repressiva e discriminatória, já que pune com pena mais dura a imigração ilegal do que crimes gravíssimos. Álvarez vai além, afirma que a Diretriz viola os Direitos Humanos.

Insulza crê ser possível travar diálogo com os países que aderiram à Diretriz, enquanto Álvarez propõe que o Mercosul reúna esforços para tentar reverter a lei para que se desenvolva uma política mais harmônica e justa.

Leia mais no El Comercio: OEA e Mercosul. Nas fotos, Miguel Insulza e Carlos Álvarez.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Embaixador brasileiro nos EUA encontra assessor de Obama

O embaixador brasileiro nos Estados Unidos, Antônio Patriota, reuniu-se com Anthony Lake, principal assessor de política externa de Barack Obama. Os principais pontos discutidos na reunião foram o papel brasileiro na América Latina e a situação no Haiti.

Sobre a posição de mediador assumida pelo Brasil na América Latina, Lake afirma que o candidato democrata expressou apreço pelo trabalho brasileiro no embate Equador-Colômbia. Obama tem, porém, diferenças com o governo brasileiro e defende a ação militar colombiana contra as FARC em território equatoriano.

Sobre o trabalho da MINUSTAH no Haiti, o assessor assegurou que Obama tem grande sintonia com o Brasil em relação às ações a serem adotadas no país. O embaixador brasileiro relatou que a equipe do candidato está "muito informada sobre a situação no Haiti".

Os assessores manifestaram, ainda, a posição favorável de Barack Obama à entrada do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas, repetindo o gesto de John McCain, candidato republicano ao mesmo cargo. Dentre as diferenças, Patriota afirmou que as posições de Obama em relação à Amazônia e ao etanol brasileiro "exigiriam reparos".

Leia mais em matérias da agência francesa AFP e da britânica BBC. Foto: Embaixador Antonio de Aguiar Patriota.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Parlamento Europeu aprova lei de repatriação de imigrantes ilegais


O Parlamento Europeu aprovou hoje, 18 de junho, em Estrasburgo, França, a chamada "diretiva de retorno", lei que harmoniza as regras dos países europeus para a repatriação de imigrantes ilegais. A aprovação da lei, que entrará em vigor em 2010, ocorreu duas semanas depois do acordo alcançado pelos ministros do Interior dos 27 países do bloco, encerrando um processo de negociação que durou anos.

As bancadas de esquerda no Parlamento apresentaram várias emendas ao documento, mas a aprovação por maioria acatou o texto original. Dentre as medidas da lei, está previsto que após a repatriação, o imigrante ilegal fica proibido de entrar em qualquer país da União Européia por um prazo de cinco anos. Para o ilegal está prevista inclusive pena privativa de liberdade.

A diretiva de retorno prevê o prazo de até 6 meses de detenção para imigrantes legais, prorrogáveis para 18 em casos excepcionais. Leis mais brandas não serão alteradas. Mesmo assim, Irlanda e Inglaterra já afirmaram que não pretendem implementar a lei. A diretiva de retorno foi muito criticada por grupos de direitos humanos, dentre eles a anistia internacional, por prever a prisão de pessoas sem culpa, inclusive de crianças desacompanhadas.

Leia a matéria da Agência Lusa.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Estudiosos vêem afastamento entre Lula e Chávez


O jornal El Nuevo Herald publicou em 9 de junho matéria sobre o distanciamento paulatino de Lula em relação a Hugo Chávez. Segundo o periódico, os elogios de Lula à política chavista acobertam o discreto afastamento entre os governantes.

A distância está indicada nas mais recentes pesquisas promovidas pela Associação Latino-americana de Integração (Aladi). Os estudos mostram uma queda nas importações brasileiras dos produtos venezuelanos. Ressalta-se que, em 2007, o Brasil comprou 12 bilhões de dólares em petróleo, mas não consumiu nada do combustível da Venezuela, maior produtor sul-americano. Os maiores fornecedores brasileiros são países africanos, como a Nigéria.

Outras trocas comerciais apresentaram desequilíbrio. O Brasil destinou à Venezuela 3% de suas exportações, mas apenas 0,3% das importações brasileiras provêm desse país. A pesquisa mostra que a Venezuela perdeu espaço no mercado brasileiro, caindo do 33º lugar na lista de provedores do Brasil em 2006 para o 47º em 2007.

Para Jerry Haar, da escola de negócios Universidade Internacional da Flórida (FIU), esse movimento é resultado do governo pragmático de Lula, que não deseja ser dependente de nenhum outro país por acreditar no status de potência mundial do Brasil. "Lula sabe que Chávez é um homem louco que está montado sobre um jato de petróleo, ampliando e aprofundando sua influência na região, e Lula não quer ir para a cama com o diabo", disse Haar.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Super Tucano gera polêmica digna de POP Star


Por Jorge Romano

Jóia da indústria brasileira, o avião Super Tucano, encontra-se na lista de compras de diversos países, entre eles Colômbia, Inglaterra e França, podendo ser considerado o mais moderno turboélice do mundo. O segredo de seu sucesso encontra-se em seus modernos sistemas e eletrônicos e versatilidade. Ao contrário da idéia do público leigo, que ao pensar em aviões modernos concebe a imagem de um caça supersônico, o Super Tucano é uma ferramenta de ponta, em seu campo de atuação, sendo capaz de realizar missões em baixas velocidades, nas quais aviões mais pesados estolam com facilidade, como perseguir pequenos aviões de narcotraficantes, no espaço aéreo amazônico.

Era previsível que, em breve, a estrela brasileira estaria envolvida em alguma polêmica, e o assunto não se restringe à possibilidade de equipar o avião com as afamadas Bombas Cluster BLG-252. Nesse semestre, a Embraer forneceu à norte-americana EP Aviation, subsidiária da controversa Blackwater, uma unidade do Super Tucano. A Blackwater é conhecida por prestar “serviços mercenários”, e no momento, encontra-se sob investigação do Congresso Norte-americano.

Os princípios defendidos pelo Brasil impedem a venda de armamentos para uso em conflitos já iniciados, no momento da execução da transação, e a Blackwater é uma empresa mal vista por nações do Oriente Médio, ligadas à política externa brasileira, fatores que tornam o assunto um tema bem sensível. O avião foi fornecido sem seus sistemas de armas, e a empresa compradora, possivelmente, pretende utilizá-lo para o treinamento de pilotos para missões no Iraque.

domingo, 15 de junho de 2008

Lula busca ajuda de Prêmio Nobel

O ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Professor Muhammad Yunus, esteve no Brasil durante esta semana a convite do Presidente Lula e do Senado Federal. Yunus, economista e banqueiro de Bangladesh, é autor do livro Banqueiro dos pobres e acredita ser possível acabar com a pobreza por meio de seu banco, o Grameen Bank. O Grameen oferece microcrédito à milhões de famílias de baixa-renda e pessoas carentes.

A intenção do Presidente é utilizar o conhecimento de Yunus para desenvolver um programa de microcrédito brasileiro. No encontro em Brasília, foram discutidos ainda os programas de diminuição da pobreza já existentes no Brasil, além das dificuldades nas áreas de saúde, crise alimentar e mudança climática.

Leia mais na versão online de The Daily Star, jornal de Bangladesh.

sábado, 14 de junho de 2008

Irlandeses dizem não ao Tratado de Lisboa


Pouco mais de três milhões de pessoas decidiram o futuro de 495 milhões. Esse é o resultado do referendo irlandês sobre o Tratado de Lisboa, documento que prevê uma Constituição para a União Européia (UE). O não da Irlanda no referendo teve apoio de 53,4% da população, contra 46,6% que votaram sim.

O resultado já tem grande repercussão na Europa, uma vez que o tratado não entra em vigor sem a assinatura de todos os países da União. Ao frustrar os demais 26 Estados da UE, a votação irlandesa corre o risco de ser ignorada. Essa é a proposta de alguns europeus que pretendem discutir uma solução para o impasse na próxima reunião do bloco em Bruxelas.

Leia o que a imprensa do mundo tem a dizer sobre o assunto:
The Irish Times, irlandês.
The Guardian e The Economist, da Inglaterra.
Le Monde, da França.
Agência Lusa, de Portugal.
The New York Times, dos EUA.
El Clarín, argentino.

Lingüista brasileiro e ministro português defendem acordo ortográfico

Em entrevista à Agência Lusa, o gramático e lingüista brasileiro Evanildo Bechara afirmou que o acordo ortográfico é um "marco histórico" nas relações diplomáticas entre os oito países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Para ele, "a unificação ortográfica é perfeitamente possível e demonstra maturidade política e lingüística" dos países membros da comunidade.

Além de auxiliar na integração entre os países da CPLP, o professor destacou a importância do acordo ortográfico para ampliar o número de pessoas que queiram aprender a língua portuguesa. "A idéia não é mais ter que escolher entre aprender a forma lusitana ou a brasileira. O objetivo é abolir as diferenças de acentos e simplificar o uso do hífen, por exemplo. Assim, a língua vai difundir-se mais facilmente e de maneira mais uniforme", afirmou.

Segundo o membro da Academia Brasileira de Letras, o Brasil se propôe a unificar a ortografia e passar a utilizar as novas regras em dicionários e livros num prazo de quatro anos.

Outra reportagem da Agência Lusa informa que o ministro português da Cultura, José António Pinto Ribeiro, em visita a São Paulo, afirmou que o entendimento entre os falantes da lìngua portuguesa e a divulgação do idioma são indispensáveis para a resolução de problemas de coesão social, desenvolvimento democracia e segurança. Segundo ele, "só assim poderemos participar, e a nossa participação é essencial na criação de um estado mundial de ordem baseada no direito e de progresso".

Tendo isso em consideração, Portugal ratificou o acordo ortográfico em maio deste ano. Pinto Ribeiro afirmou que seu país se esforçará na integração da língua portuguesa e para isso criou um fundo para o aprofundamento da língua nas regiões do mundo que contam com comunidades de portugueses e nos países da CPLP. Outras medidas foram anunciadas em São Paulo, como lançamento de um programa de ensino e de promoção da língua portuguesa e a realização de um estudo mundial sobre o valor econômico da língua portuguesa, proposta que vai ser lançada na próxima cúpula da CPLP, que ocorrerá nos dias 24 e 25 de julho, em Lisboa.

O ministro defendeu a criação de escolas de língua portuguesa nas comunidades de emigrantes lusos e que os centros culturais de países da CPLP sejam "centros culturais da língua portuguesa e não apenas de nacionais deste ou daquele país". Além dissso, ele afirmou querer que as bases de dados científicos e técnicos sobre a língua portuguesa "constituam uma rede única acessível a todos os que trabalham nessa língua", por meio da internet.

"Façamos mais de duzentos milhões de grandes patriotas cultos e espalhemos pelo mundo esse modelo plural e heterônimo de ser e este modelo de xenofilia, de integração pela língua e pela cultura tolerantes e acolhedoras", disse.

O ministro defendeu também uma política externa comum aos países de língua portuguesa. "Uma política que leve o Brasil a membro permanente do Conselho de Segurança e à reforma da ONU, faça do português língua de trabalho, interpretação e tradução em todas as organizações internacionais".

Imagem: retrato de Luís Vaz de Camões.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Itaipu continua a gerar conflitos entre Brasil e Paraguai


O conflito entre Brasil e Paraguai sobre o preço da energia produzida em Itaipu promete se alongar. Enquanto Fernando Lugo, presidente paraguaio, volta a defender uma renegociação do Tratado de Itaipu, o Brasil oferece ao vizinho um programa de ajuda ao desenvolvimento.

A visão brasileira foi defendida desta vez por Eduardo dos Santos, futuro embaixador do Brasil no Paraguai em sabatina no Senado Federal. A indicação de Santos foi aprovada pelos senadores da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

O novo embaixador adiantou que a política brasileira para o Paraguai envolve a construção
de uma linha de transmissão entre a hidrelétrica de Itaipu e Assunção. O desenvolvimento paraguaio é interesse do Brasil, destacou. Segundo ele, o programa de ajuda deve apoiar a implantação de indústrias e incluir medidas relativas ao turismo e aos biocombustíveis.

O programa de ajuda ao desenvolvimento do Paraguai foi oferecido após decisão brasileira de manter a validade do tratado que vence em 2023. Lula afirmou, em reunião da UNCTAD, que "temos um tratado e o tratado vai se manter". Para Celso Amorim, o importante é que exista harmonia entre os países da região, idéia que deu origem à proposta de ajuda.


Outra declaração recente deu nova vida ao debate. A organização brasileira Casa da América Latina assinalou que respalda os pedidos paraguaios. A Casa aglutina representantes de diferentes setores sociais, como jornalistas e intelectuais, a exemplo de Oscar Niemeyer. Ivan Pinheiro, vice-presidente da organização, esteve no Paraguai para expressar solidariedade ao novo governo e a sua reivindicações no caso Itaipu.

Sobre a indicação de Eduardo dos Santos, leia o Jornal do Senado. Para as negociações sobre o Tratdo de Itaipu, notícia e especial do ABC Color.

Artista brasileira expõe obras na Escócia


O trabalho da brasileira Ana Maria Pacheco será exposto na Escócia. As obras de Ana Maria retratam o lado mais sombrio do golpe de 1964. O acervo ficará exposto por um mês a partir de amanhã no Inverness Museum and Art Gallery e depois segue para a Swanson Gallery. O trabalho de Ana Maria Pacheco inclui esculturas, pinturas e gravuras e várias menções ao folclore brasileiro.

Imagem: gravura de Ana Maria Pacheco.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Ultimato britânico a imigrantes brasileiros


O governo britânico se prepara para enviar uma série de ultimatos à países africanos, asiáticos e sul-americanos, inclusive para o Brasil. Segundo o ultimato, os países devem resolver seus problemas de abuso ao sistema de imigração britânico ou enfrentarão restrições à entrada na Grã-Bretanha.

O Brasil está na lista dos piores países em descumprimento do visto de curto prazo e por isso encabeça a lista negra de países cujos nacionais abusam das regras de imigração ou cometem crimes como traficar drogas. No caso brasileiro, as restrições viriam na forma de exigência de vistos para entrada no país europeu.

O governo britânico decidiu enviar discretamente os ultimatos por meio dos canais diplomáticos, oferecendo aos países prazo de seis meses para solucionar os abusos. A Grã-Bretanha preocupa-se com os efeitos colaterais de uma política imigratória rígida para suas relações com os países envolvidos.

O Brasil é identificado pela política externa de Londres como um "emergente ator global de grande importância aos interesses britânicos". Integrantes do governo da Grã-Bretanha já demonstram preocupação com o possível abalo das relações bilaterais entre os países.

O combate inglês à imigração ilegal pode afetar as regras de toda a União Européia. O bloco deve discutir essa legislação no segundo semestre, quando a França assume a presidência rotativa. Paris propôs, em 29 de maio, um "pacto sobre imigração" que promete incluir duro tratamento aos ilegais. A proposta francesa está em discussão entre os Estados da UE.

Leia: Finantial Times. Foto de filas para imigração na Inglaterra.

Irlandeses votaram hoje o Tratado de Lisboa


Os irlandeses já começaram hoje a votar no referendo de ratificação do Tratado de Lisboa. o tratado, que envolve uma Constituição para a União Européia, visa melhorar o funcionamento do bloco e reforçar seu peso no mundo. Aprovação unânime é necessária para que o tratado possa entrar em vigor a partir de 2009.

O Tratado havia sido votado em 2005, mas sua aprovação foi barrada por franceses e holandeses. A consulta aos irlandeses é considerada o maior obstáculo à aprovação, uma vez que as pesquisas mostram que há empate técnico entre o sim e o não.

Leia mais sobre o referendo na Irlanda no Irish Times. Na foto, irlandesas participam de pesquisa sobre o referendo.

Lula encontrará Chávez no dia 27

Brasil e Venezuela se esforçam para estreitar relações. Há dois anos, Lula e Chávez têm se encontrado semestralmente. O próximo encontro ocorre na Venezuela aos 27 deste mês, em Santa Elena de Uairén. Os presidentes pretendem discutir as iniciativas bilaterais e temas como energia e cooperação agrícola e comercial.

Rússia x Brasil: relações civis e militares

Por Jorge Romano, Gestor de Segurança.

Representantes da holding russa Rosoboronexport, fabricante de veículos de uso militar e policial, que também agradam aos civis, pretende firmar uma joint venture com o grupo JSC Arzamaz, para a fabricação de jipes no Brasil, no Estado do Rio Grande do Sul.

A Governadora Yeda Crusius recebeu o grupo com otimismo na última semana de maio. Espera-se o investimento de R$ 50milhões, na fase inicial, e a geração de 700 novos empregos diretos, além do fomento das relações bilaterais Brasil x Rússia. A produção estimada é de 300 unidades por ano.

O exército brasileiro, que já utilizou o jipe clássico da Willis Overland, antes fabricado no Brasil, e hoje utiliza amplamente o modelo Land Rover, mostra-se animado e já estuda a possibilidade de adquirir unidades do GAZ Tiger, da Rosoboronexport, um veículo moderno que conta com blindagem de 3 níveis diferentes e peso de apenas 6 toneladas, baixo para os padrões militares.

O Brasil português

Está no Brasil o ministro português da administração interna, Rui Pereira. Em evento na embaixada de Portugal em Brasília, o ministro afirmou que "a cooperação entre Portugal e Brasil intensificou-se não só na área econômica". Lembrou que foi durante a presidência portuguesa da União Européia que a parceria estratégica do bloco com o Brasil foi firmada.
O ministro fez menção ao combate conjunto aos crimes transnacionais e aos acordos da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa). Fez ainda referência ao acordo ortográfico e citou Fernando Pessoa: "minha pátria é minha língua".

Ainda ontem, o ministro português da cultura, José António Pinto Ribeiro, divulgava evento da língua em São Paulo. A cidade receberá exposição sobre o escritor português José Saramago feita em parceria com o Instituto Tomie Ohtake. A visita dos dois ministros ao Brasil, em 10 de junho, ocorreu justamente no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

As notícias são da Agência Lusa, no site UOL. Leia a matéria sobre o ministro da administração interna e a sobre o ministro da cultura. Na foto, José Saramago.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Brasil, da retórica pacifista à polêmica das bombas cluster


Por Jorge Romano, Gestor de Segurança.

Em fevereiro deste ano, representantes diplomáticos, de mais de 90 países, reuniram-se em Wellington, Nova Zelândia, para discussão do chamado Processo de Oslo, com o objetivo de proibir internacionalmente a fabricação, a estocagem, o comércio e o uso das Bombas Cluster. O Brasil é um dos 34 países no mundo que fabricam esse tipo de armamento, sendo produzido por empresas como a Avibras Aeroespacial SA e a Ares Aeroespacial e Defesa.

As Bombas Cluster, também conhecidas como Bombas Cacho, são unidades balísticas que, ao serem lançadas, se dividem em uma grande quantidade de pequenas outras bombas, no caso do modelo brasileiro, 2.200 unidades com a forma de uma flecha, que podem cobrir uma área equivalente ao tamanho de quatro campos de futebol. São muito utilizadas, com eficiência, contra grupos humanos, causando grandes estragos, e contra grupos de veículos e construções.

Grupos humanitários e ativistas, por todo mundo, defendem a proscrição desse tipo de armamento, já que os danos secundários, causados contra civis, são numerosos. Especialistas defendem que aproximadamente 10% dos sub-explosivos, não se detonam no momento da ação, e ficam armazenadas no solo, transformando-se em um perigo para as populações civis. De acordo com dados do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) mais de 13 mil civis, por todo mundo, já foram vítimas desse tipo de armamento, já que muitas bombas continuam ativas, sendo detonadas por civis que pisam nelas, acidentalmente, ou por curiosos atraídos pelas formas e cores.

O Brasil é exportador de Bombas Cluster, já tendo vendido, inclusive, para países como Colômbia, Chile e Venezuela. Segundo o MRE, o Brasil considera legítimo o uso de Bombas Cluster, desde respeitados os direitos humanos. O Major Brigadeiro Souza Mello, diretor de assuntos internacionais do Ministério da Defesa, diz que esses artefatos são “...muito importantes para nosso acervo bélico...”, mas, também, declara que o Brasil já faz parte de grupos de discussão sobre eliminação de Resquícios Explosivos de Guerra (REG), sendo signatário da CCAC (Convenção sobre Certas Armas Convencionais). O assunto ainda promete render muita polêmica, e os países produtores desse tipo de armamento, como Brasil e EUA, podem sofrer desgastes de imagem na comunidade internacional.

Sobre as bombas cluster, leia mais no site Federation of American Scientists
AS
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O interesse por Barack Obama


O interesse brasileiro pela campanha presidencial americana e, principalmente, pelo candidato Barack Obama não passou despercebido pelos olhares internacionais. Hoje, o americano Washington Post relata esse interesse. A percepção internacional foi provavelmente ressaltada pelas declarações de Caetano Veloso para a Folha de São Paulo. Caetano disse que Obama parece com seu pai ou com um mulato de Santo Amaro.

O jornal fala ainda da idéia de democracia racial no Brasil. Ressalta que, apesar dessa fama, poucos são os negros em altos cargos da política e dos negócios. Lembra ainda que para os americanos, Obama é negro, enquanto no Brasil, ele é chamado comumente de mulato. Para o jornal, isso é reflexo da complexidade da questão étnica no País.

Por fim, o Washington Post lembra que essa afeição dos brasileiros pelo candidato não é unânime. Muitos estão preocupados com a política que ele adotará para a América Latina como presidente, caso derrote John McCain, principalmente após o descaso que vem demonstrando George W. Bush.

UE prestes a derrubar sanções à Cuba

A União Européia está prestes a abolir as sanções que impôs à Cuba em 2003. Apesar de suspensas desde 2005, as sanções permanecem formalmente e têm sua manutenção avaliada por diplomatas dos 27 Estados membros da UE em Bruxelas. A medida foi imposta após uma ofensiva cubana contra dissidentes políticos.

Abolir as sanções seria uma forma de aproximação com o atual governo cubano de Raúl Castro e um reconhecimento das mudanças empreendidas pela nova liderança cubana, indicou um dos diplomatas presente na reunião.

Mais no La Nación.

O Brazil japonês


O jornal Internatinal Herald Tribune, edição global do New York Times, publica hoje matéria sobre os japoneses no Brasil. A notícia lembra a chegada do Kasato Maru, há cem anos, no dia 18 de junho de 1908. O jornal também anuncia a vinda do príncipe Naruhito, que chega ao Brasil no dia 17 deste mês para as comemorações. Naruhito passará uma semana no país e visitará São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O Herald Tribune fala ainda da cultura japonesa no Brasil e de como prosperaram esses imigrantes. Cita a agricultura, mas traz também nomes como o de Tomie Ohtake e Manabu Mabe, Dr. Milton Nakamura e Shigeaki Ueki. Apesar dos casamentos fora da comunidade japonesa serem cada vez mais numerosos, os descendentes de japoneses no Brasil acreditam que a língua, a cultura e a tradição serão mantidas através das gerações.

Imagem: quadro de Tomie Ohtake.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Cabo Verde


Victor Borges (foto), ministro das relações exteriores cabo-verdiano, chegou ontem ao Brasil. A visita oficial busca fortalecer a cooperação entre os dois países. Depois do Haiti, o Cabo Verde é o país que mais recebe ajuda brasileira. A visita do ministro tem início no Ceará, passa por Brasília e São Paulo.

O diálogo diplomático entre os dois países é importante, uma vez que as trocas comerciais quadruplicaram em 4 anos. Além disso, o Brasil desenvolve programa de cooperação técnica com o país africano nos campos de formação profissional, educação superior e saúde.

"As trocas comerciais passaram de US$ 9 milhões em 2003 para US$ 36 milhões no ano passado, com o Ceará ocupando o segundo lugar nas exportações brasileiras para o arquipélago, atrás de São Paulo", noticia a Agência Lusa.

Senadores de Brasil e Chile analisam MINUSTAH


Esta semana em Brasília, as comissões de relações exteriores dos senados do Brasil e do Chile analisarão o trabalho da MINUSTAH, missão da ONU no Haiti. Os senadores buscam definir o papel futuro da missão de estabilidade, levando em consideração as críticas ao trabalho das tropas.

Há a possibilidade de que a MINUSTAH, focada na manutenção da segurança, seja transformada em um suporte para o desenvolvimento econômico e social. Um senador chileno, Hernán Larraín, declarou que essa mudança é importante para que outros possam vir a ter o papel que as forças da ONU desempenham hoje.

Larraín ressaltou ainda a importância da cooperação entre Brasil e Chile para o fortalecimento da região e afirmou que o trabalho interparlamentar abre canais de comunicação para que se tenha aliados sólidos na América do Sul.

Para a notícia em espanhol, clique aqui. Na foto, tropas brasileiras da missão recebem a visita de Lula no Haiti.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Fundo soberano


O Finantial Times publicou hoje declarações do Ministro da Fazenda Guido Mantega sobre a criação do fundo soberano. Mantega afirmou que o governo planeja usar lucros do petróleo para o financiamento. Segundo o plano, 5 anos seriam necessários para a criação de um fundo de US$ 200 a US$ 300 bilhões de dólares.

Mantega afirmou que o projeto de lei de criação do fundo será enviado ao congresso no começo desta semana, em regime de urgência. Assim, o congresso tem 45 dias para votá-lo. A intenção do governo é criar mais uma ferramenta de combate à inflação, já que funcionará como um fundo de estabilidade fiscal, reservando 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) ou R$ 14 bilhões, para uma reserva de contingência.

O governo espera ainda que a criação resulte numa queda da taxa de câmbio e também dos gastos governamentais. O fundo soberano é matéria polêmica, não só fora, como dentro do governo. Os opositores argumentam que ele vai diminuir as reservas internacionais do Brasil além de rivalizar com o Banco Central na aplicação de políticas monetárias.

Internacionalmente, o fundo pode ser usado para auxiliar as empresas brasileiras no exterior. Na prática, o seu uso para a compra de ações de empresas situadas em outros países pode ter função política, o que recebe críticas da comunidade internacional.

Na foto, o ministro Guido Mantega.

FHC na China


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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso esteve de volta à China nos últimos dias de maio deste ano. Sua última visita, ainda como presidente, havia sido em 1995. Desta vez, seu olhar foi diferente, ele conta o que achou das mudanças no país, da infra-estrutura para as olimpíadas e também dos resquícios da China tradicional. Seu artigo foi publicado no Zero Hora de Porto Alegre.

Foto de Shangai de Ze Cahue, brasileiro que vive na China. Cahue planeja documentar sua viagem de volta ao Brasil que terá início em uma semana, disponível no blog A Odisséia.

A Venezuela e as FARC

O jornal venezuelano El Universal publicou hoje duas notícias sobre as relações das FARC com o governo de Hugo Chávez (foto). É interessante notar que uma delas tratava da migração das forças guerrilheiras para o território do país, pressionados pela ofensiva política e militar colombiana. A segunda matéria noticiava o apelo de Chávez para que as FARC deixassem a luta armada.

A Folha de São Paulo traz outras duas notícias sobre a Venezuela, ambas sobre as eleições regionais de 23 de novembro. Marisabel Rodríguez, segunda mulher de Chávez, lançou-se candidata à prefeita pelo partido Podemos, dissidência do chavismo. Segundo a Folha, o presidente abrandou o discurso como estratégia eleitoral.

Além da precupação com o pleito próximo, Chávez pode ter em mente possíveis sanções econômicas por parte da União Européia e dos Estados Unidos. O New York Times sugere, ainda, que o líder venezuelano pode estar temendo o isolamento político.

domingo, 8 de junho de 2008

OEA analisa corrupção no Brasil


A comissão anticorrupção da Organização dos Estados Americanos (OEA) recebeu ontem, em evento realizado em São Paulo, um estudo diagnóstico da corrupção no Brasil. O estudo foi realizado pelo Movimento Voto Consciente em conjunto com a ONG Transparency International, com coordenação da Doutora Rita de Cássia Biason, professora da UNESP.

A OEA possui, desde 2002, programa que visa o combate à corrupção no continente. Na Terceira Cúpula da Américas, os países reconheceram que "a corrupção enfraquece os valores democráticos fundamentais" (veja documento da OEA). Com base nesses antecedentes, a organização estabeleceu e vêm implementando um mecanismo de acompanhamento.

O estudo sobre a situação brasileira ressaltou a necessidade de se tipificar o delito de corrupção no Brasil, além de sugerir medidas para a redução desses casos na administração pública. O material recomenda, por exemplo, o fim do foro privilegiado para funcionários e políticos do primeiro escalão da administração federal.

O diagnóstico foi elaborado a partir de entrevistas com juízes, advogados e fiscais. Baison afirma que o documento não é uma denúncia, mas uma análise das vulnerabilidades brasileiras. As conclusões do documento serão apresentadas em dezembro na reunião geral da OEA.

Leia mais no jornal paraguaio ABC Color. Foto: prédio principal da OEA.

sábado, 7 de junho de 2008

John McCain sobre a América Latina


O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain (foto), fez declarações ontem sobre a América Latina. Ele garantiu que não negociará com Hugo Chávez antes que o venezuelano deixe de insultar George W. Bush e resolva suas relações com as FARC. Para o americano, políticos como Evo Morales e Chávez são uma ameaça para a democracia no subcontinente.

McCain avisa que impulsionará o livre comércio como forma de fazer frente ao antiamericanismo na região. Segundo ele, o povo latino-americano elege "gente como Chávez, Morales e Ortega devido à frustração e o mal estar" com as economias de seus países. Aproveitou para criticar o candidato do Partido Democrata, Barack Obama, que declarou que se reuniria sem condições com governantes como Chávez ou Fidel Castro.

Notícia publicada no espanhol El País.

Amorim vai à Eslovênia


Celso Amorim (foto) foi, nesta sexta-feira, à Eslovênia em reunião com oficiais da União Européia. Atualmente, a Eslovênia detém a presidência rotativa do bloco. O principal assunto tratado foram os biocombustíveis. Amorim defendeu que o uso brasileiro do etanol não reduziu a produção de alimentos mas ajudo a conter o consumo de petróleo. Para os eslovenos, o foco foram os temas de combate a pobreza, mudança climática e segurança energética.

Foram discutidas ainda as relações entre a União Européia e as associações regionais latino-americanas, como a Comunidade Andina de Nações o Mercosul. Além de uma parceria estratégica, já firmada em julho de 2007, Celso Amorim pretende estabelecer um Plano de Ação Conjunta até dezembro deste ano. A intenção é aprofundar a cooperação já existente nas áreas de tecnologia, ciência, educação e meio-ambiente.

Leia a notícia da Agência AFP no site France 24.

Equador e Colômbia retomam relações diplomáticas


Equador e Colômbia retomaram, nesta sexta-feira, relações diplomáticas através de mediação do ex-presidente americano Jimmy Carter e do secretário-geral da OEA, José Miguel Inzulza. Os governos declararam estarem dispostos a retomar o canal diplomático de maneira imediata e sem pré-condições.

Por ora, o canal se limita à troca de encarregados de negócios. Rafael Correa mantém reservas contra o governo Uribe, que o acusa de ter vínculos estreitos com as FARC. Quito rompeu relações em 3 de março, após militares colombianos terem cruzado a fronteira entre os dois países em busca de um líder rebelde.

Notas da BBC Brasil e do New York Times. Na foto, Rafael Correa e Álvaro Uribe.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Petróleo a US$138,54 o barril


O petróleo alcançou hoje a marca de US$139,01 e fechou o dia em US$138,54 o barril em negociações das bolsas de Nova Iorque e Londres. Foi apontada como causa imediata da maior alta em uma sessão (10,71 dólares) o recrudescimento da tensão entre Israel e Irã. O ministro dos transportes israelense declarou ser inevitável um ataque a instalações nucleares do Irã, segundo maior exportador da Opep.

Entre os motivos conjunturais para o aumento, destaca-se o crescimento do consumo, principalmente pelos países emergentes, como China e Índia, além de pressões especulativas. A crise americana tem levado investidores a migrar para papéis mais estáveis, o que também pressionou o preço da commodity.

Leia sobre a maior alta do petróleo no Gulf News e entenda como o preço chegou aos US$138,54 na Folha Online. Foto da Agência Reuters: protesto contra alta do petróleo nas Filipinas.

América Latina no centro do embate da FAO


Após três dias de negociações os países participantes firmaram, nesta quinta-feira, o documento final da Conferência sobre Segurança Alimentar da FAO (Organização para Agricultura e Alimentação da ONU). O documento busca angariar fundos para o financiamento de pequenos agricultores que precisam de insumos para a próxima produção. A abordagem é referendada pela ONU e por grupos humanitários que citam o exemplo do Malaui onde foi implantado esse tipo de subsídio.

Cerca de 6 bilhões de dólares foram doados para o combate à fome, longe dos 20 bilhões que o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, havia dito serem necessários. Além desse plano, a conferência aprovou resolução que reafirma o compromisso, firmado em 1996, de reduzir, até 2015, pela metade o número de pessoas que passam fome no mundo.

A reunião ficou marcada por graves contradições, principalmente entre Estados Unidos, América-latina e União Européia. A Argentina defendeu seu direito de impor limites ao comércio e fez objeção ao parágrafo que afirmava "a necessidade de reduzir o uso de medidas restritivas que poderiam incrementar a volatilidade dos preços a nível internacional". Estados Unidos e União Européia foram acusados de manter subsídios aos seu produtores locais, impulsionando o preço dos alimentos.

Um novo embate teve início quando Cuba insistiu que seu direito à alimentação fosse incluído no acordo, o que gerou protestos por parte dos americanos. A conferência terminou com o que se pode chamar de vitória brasileira. A resolução não responsabilizou os biocombustíveis pela crise dos alimentos, apesar do Brasil ter sido diversas vezes atacado por promover a produção do etanol.

Mais: El Clarín, Le Monde e International Herald Tribune. Foto de Filipe Moreira, via Flickr.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Doha precisa de solução até julho


A Rodada da OMC de Doha, que teve início em 2003 no Qatar, precisa ser fechada até o meio do ano. Essa é a conclusão de negociadores da rodada, preocupados com uma possível onda de protecionismo caso as negociações transbordem para 2009. Urgem os temas de agricultura e bens industriais, principais pontos de discórdia entre os negociadores.

"Estamos no sétimo ano de negociações e cada vez há mais ceticismo", afirma Phil Goff, ministro do Comercio da Nova Zelândia. É também a posição de Roberto Azevedo, subsecretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty e principal egociador brasileiro na rodada.

Azevedo lembrou que as próximas semanas são cruciais e completou: "se conseguirmos fechá-las a nível ministerial até julho, nossa expectativa é que seja possível fechar todas as áreas até o fim do ano".

Para mais sobre a Rodada Doha, leia o jornal uruguaio El País e notícia da agência francesa AFP.

Conferência da FAO

A despeito dos apelos feitos pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellic, para que se desenvolvesse estratégia de longo prazo para o problema da fome, apenas soluções emergenciais foram propostas na reunião da FAO. A conferência da Organização para Alimentação e Agricultura aprovou plano que destinará 1, 7 bilhões de dólares à produçao agrícola mundial, com prioridade para os países africanos.

A conferência foi pouco sucedida ao dar solução ao problema da fome, em parte porque a maioria dos chefes de Estado estavam preocupados em discutir as próprias agendas. A questão dos biocombustíveis dominou boa parte da pauta e teve como pivô o próprio Brasil. Procurando defender-se das crescentes críticas ao etanol, o Presidente Lula discursou sobre o assunto durante meia hora e sequer foi encontrado consenso.

Saíram perdendo do encontro os países e, principalmente, os povos, mais atingidos pela crise dos alimentos. Denis Sassou-Nguesso, presidente da República do Congo, lembrou que o denominador comum é a crise alimentar e ressaltou ser esse o problema imediato. Em vão.

Sobre a conferência, The New York Times, The Miami Herald e o mexicano Excélsior. Clipping da cúpula no site da FAO.

Cônsul honorário da Espanha preso

A Polícia Federal prendeu hoje em Joinville, Santa Catarina, 17 pessoas acusadas de contrabandear máquinas caça-níqueis. Dentre os presos está Antonio Scorsa, cônsul honorário da Espanha. Sua mulher, seu filho e seu advogado também foram detidos.

Segundo a PF, a quadrilha importava peças e componentes e comercializava as máquinas caça-níqueis no Brasil, na América Latina e na Espanha. As prisões fazem parte da operação Cartada Final que abrange Pernambuco, Bahia e Santa Catarina. A situação de Scorsa está sendo analizada pelo cônsul da Espanha em Porto Alegre, declarou a embaixada do país em Brasília.

Mais no El País.

4º maior mercado automotivo


Brasil e Argentina firmaram, na última semana, um novo acordo automotivo. O convênio entra em vigor no dia 1º de julho e tem validade até 2013. A partir desta data, os países esperam alcançar o livre comércio, como afirmou o Ministro da Indústria e Comércio Exterior brasileiro, Luiz Eduardo Furlan: "Em dois anos poderemos pensar em um horizonte mais amplo. O destino do setor automobilístico é buscar o livre-comércio no Mercosul e neste período seguiremos como está programado para reforçar as bases e garantir que isso ocorra no futuro".

O novo acordo mantém o sistema flex, que impõe coeficientes de desvio das importações de forma que o limite varia de acordo com as exportações. O mercado livre entre Brasil e Argentina significaria o crescimento do setor. As previsões giram em torno de
6 milhões de unidades nos dois países, alcançando o posto de 4º maior mercado do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Japão, de acordo com as projeções.

A notícia foi anunciada internacionalmente pela agência chinesa Xinhua e no Brasil pelo site UOL.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Lula precisa de Chávez


Miguel Angel Bastenier, colunista do jornal espanhol El País, afirmou hoje que "se Hugo Chávez não existisse, o presidente brasileiro Lula da Silva teria de inventá-lo". Ele explica a afirmação, diz que a insensatez de Chávez faz Lula parecer exemplo de bom senso e moderação. A frase de Bastenier chamou a atenção do jornalismo mundial e, principalmente, da mídia brasileira. A BBC Brasil e O Globo Online deram grande importância à comparação.

Mais do que contrastar as políticas de Lula e Chávez, Bastenier faz uma análise das relações no subcontinente. O assunto da coluna é, na verdade, a Unasul e as possiblidades de futuro da integração regional. Mais uma vez a imprensa nacional foca nos detalhes e esquece do todo. Ao tratar da Unasul, preocupou-se demais com o Conselho de Defesa.

O Conselho, que acabou não sendo assinado no encontro em Brasília, não é a essência da União. Ainda não estão claros as efetivas conseqüências do processo regional, mas ao menos um resultado deve ser reconhecido. Há cerca de 20 anos o Brasil procura ampliar suas relações na América do Sul, buscando reunir todo o subcontinente, objetivo que, ao menos formalmente, foi atingido com a formação do bloco.

A Liderança brasileira e a Argentina


Os argentinos começam a ver com outros olhos a liderança brasileira na América do Sul. É o ponto de vista de Fabián Calle, que publica matéria no El Clarín de hoje. O pesquisador do CARI (Conselho Argentino de Relações Internacionais) acredita que a posição de protagonismo assumida pelo Brasil pode ser proveitosa para o país vizinho.

Calle fala da estabilidade econômica e política, do encabeçamento do G-20 e dos elogios dedicados à Brasília por parte das instituições financeiras internacionais. Afirma, ainda, que o Brasil atinge novo status internacional e prevê futuros atritos com os Estados Unidos. "El propio peso de la nueva posición del Brasil no estará desprovisto de fuertes espacios de tensión, rivalidad y desconfianza con Estados Unidos", diz ele.

É pensando nessa tensão que o pesquisador vê ganhos para a Argentina. Inspirado em obra de Samuel Huntington, Calle prevê relação construtiva de seu país com a Casa Branca, podendo assumir papel de contrapeso na região em favor dos americanos.

Leia o artigo de Fabián Calle no El Clarín. Na foto, Calle em reunião do Ciclo de Actualidad Regional de la Escuela Latinoamericana de Estudios Políticos y Económicos (ELEPE).

terça-feira, 3 de junho de 2008

A guerra do etanol


Em Roma para reunião da FAO, o Presidente Lula afirmou que travará "guerra necessária" pelo etanol e mostra suas novas armas. Além de defender o uso do álcool da cana como substituto para os combustíveis fósseis, o governo agora divulga plástico feito a partir do produto.

O polímero verde, como é chamado, foi criado no Centro de Tecnologia e Inovação da Braskem, maior empresa nacional do setor petroquímico, e deverá ser produzido em escala industrial até o fim de 2009. Desenvolver a tecnologia para a fabricação do polímero custou 5 milhões de dólares, mas o custo de produção é muito similar ao do plástico derivado do petróleo.

Em fevereiro, o Brasil havia demonstrado internacionalmente outro uso para o etanol. Em Genebra, por ocasião de encontro internacional sobre aviação e meio-ambiente, a Embraer anunciou que planeja desenvolver, em conjunto com a Petrobrás, combustível a partir de biomassa para seus jatos. O Ipanema (foto) já voa movido a etanol, mas os testes com aviões maiores só devem começar este ano.

De armas em punho, o presidente deverá defender o combustível da cana-de-açúcar na reunião da Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), divulgou a BBC Brasil.

CEPAL prioriza o Brasil


A CEPAL terá, a partir de 1º de julho, a primeira mulher na secretaria geral. A mexicana Alicia Bárcena (foto) anunciou que virá ao Brasil logo após a posse e elogiou a estratégia brasileira para assuntos de energia e de aquecimento global. Ela afirma ser possível a convivência de etanol com segurança alimentar.

Considerada uma autoridade em desenvolvimento sustentável, Bárcena é mestre em ecologia pela Universidade Nacional Autônoma do México e em administração pública pela Universidade Harvard. Sua especialidade é a botânica. É autora de uma série de artigos sobre economia e meio ambiente, conservação e manejo de recursos naturais e cidadania ambiental. Seu largo currículo inclui ainda o cargo de Chefe de Gabinete durante o mandato de Kofi Annan na ONU.

Alicia Bárcena foi entrevistada pela Rádio ONU.

domingo, 1 de junho de 2008

Novo milagre econômico?


O jornal argentino La Nación publicou hoje uma matéria afirmando que o Brasil avança firme rumo ao "milagre econômico". Mas o termo milagre assusta mais do que anima. Ele nos remete aos governos mlitares de Costa e Silva e Médici, em que ocorreram as maiores taxas de crescimento da economia brasileira. Ao mesmo tempo, nos faz lembrar os custos do tal milagre.

O que todos queremos esquecer é o período recessivo e de inflação galopante que o Brasil enfrentou nos anos 80 e 90. Na época, apontou-se como fator essencial para o fim do ciclo virtuoso o choque do petróleo de 1973. Mesmo em meio a um período de otimismo econômico, a alta da inflação e um possível choque dos alimentos ainda deixa os brasileiros apreensivos.

Na foto, São Paulo.

Farm Bill 2008


Recém aprovada, a nova Farm Bill já recebe críticas. Em tempos de crise alimentar e altos preços das commodities, a nova diretriz agrícola não é um alívio. Ao contrário, prevê subsídios, penaliza os consumidores e prejudica os produtores latino-americanos.

Para o Brasil, a lei é ainda mais dura. Parte dos subsídios é direcionada aos plantadores de milho que utilizam 25 % da colheita para a produção de etanol. Além dos subsídios, a lei mantém barreiras tarifárias ao etanol de cana brasileiro, mais rentável do que o americano. Como se não bastasse, a Farm Bill impõe quotas à importação do açúcar.

Analistas atribuem a aprovação da lei ao ano eleitoral. A maioria democrata, que tem suas campanhas financiadas pelos grandes agrilcutores do "corn belt", fez lobby em favor da aprovação. Os republicanos têm sua parcela de culpa, uma vez que aqueles eleitos por estados agrícolas também votaram a favor, contrariando os interesses da Casa Branca. Leia mais no Miami Herald.

Imagem: plantação de trigo nos Estados Unidos.